Antiga Cantina do Vinho da Sociedade Estrela Guaporense
Endereço: Rua Miguel Soccol, n° 1701
Cidade: Serafina Corrêa
Proprietário Atual: Família Cervieri
Portaria: Nº 20/2010 de 16/07/2010
Número do Processo: 000437-1100/10-3
Número de Inscrição do Livro Tombo: 98
Data de inscrição no Livro Tombo: 23/12/2010
Data de Publicação em D.O.: 19/07/2010
Informações históricas:
A antiga Cantina do Vinho de Serafina Corrêa foi fundada em 1929, fazendo parte de um complexo comercial de propriedade do comerciante local Fioravante Cervieri, da primeira geração brasileira descendente do imigrante italiano Aquiles Cervieri. O governo do Estado, na gestão do Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros, em dezembro de 1903, outorga o status de município à colônia de Guaporé e são formados distritos derivados do conjunto da comuna. Entre estes distritos estava o de Dona Fifina Correia, criado em 3 de maio de 1911 e núcleo inicial da atual cidade de Serafina Corrêa. A área original, denominada de Linha 11 teve sua ocupação iniciada em 1892 e entre as famílias pioneiras estavam os Franciosi, Assoni, Marin, Variani, Cervieri e outros. Todos esses precursores trouxeram consigo os conhecimentos da vitivinicultura que junto às condições favoráveis do clima e da terra fizeram das áreas de colonização italiana, polos da produção de vinho e locais de florescimento da culinária típica.
A cantina é uma referência histórica e sintetiza a experiência, os costumes e o conhecimento de gerações de descendentes de italianos, trazidos para a Serra Gaúcha e para Serafina Corrêa. A cantina é representativa de um dos mais importantes movimentos sociais e econômicos do Rio Grande do Sul no século XX: Os primórdios de sua industrialização, a transformação de um território agrário e dependente da pecuária e da agricultura em um território de indústria, de uma nova sociedade baseada na reorganização da produção, cuja acumulação primitiva ocorre, aqui, através, principalmente, do capital comercial acumulado na e pelas regiões coloniais.
Foram tombados, além da edificação, bens móveis como pipas de madeira, tachos de cobre, maquinário e os demais elementos originais que testemunham o processo de produção ali desenvolvido. O tombamento foi efetivado, entre outros motivos, pelo valor do bem como patrimônio industrial, pois a cantina atesta o início da industrialização do vinho, que potencializa a economia da serra gaúcha até hoje.
Informações arquitetônicas:
Está situada na área urbana da cidade, possuindo planta retangular e dois pavimentos. O térreo abrigava os espaços de preparação e armazenamento do vinho, com áreas menores para carregamento, engarrafamento, lavagem, depósito e vinificação. Na área maior estão os vinte barris de madeira para a maturação da bebida. O segundo pavimento funcionava como depósito. As alvenarias são em pedra no pavimento térreo e em tijolos no segundo. O telhado de duas águas é chanfrado nas extremidades e possui telhas metálicas. As esquadrias são em madeira, com escuros internos e vidros com caixilharia.
Fonte: Processo de tombamento.